XX Jornada do Círculo Psicanalítico da Bahia



14-15 de Novembro de 2008

Para nossa XX Jornada do Círculo Psicanalítico da Bahia, pensamos em sair do elenco de temas quase constantes que vêm se repetindo em variações das mais bem intencionadas. Depois da Arte no ano passado, podemos ser mais criativos abordando uma questão íntima, tão perto de nós que escapa muitas vezes de ser um tema psicanalítico, haja vista a escassa bibliografia existente. Se pela raridade é uma proposta que parece inicialmente risível, podemos lembrar que o riso impõe-se como uma maneira violenta de romper o silêncio, ou substituir a fala por outra que, por nada dizer, fala muito. Nada mais psicanalítico do que o incompreensível do riso ou da quebra entre a dinâmica e o estático nos textos de humor.

HUMOR é somente uma disposição de ânimo? Um estado emotivo que não tem objeto, ou cujo objeto é indeterminável, se distinguindo da emoção propriamente dita? Teria razão Heidegger em dizer que o humor fundamental é o tédio que expressa o "peso de ser", ou os gregos imaginando que a comédia seria a tragédia que não acontece?

Na carta 67 a Fliess, Freud se mostra tributário do próprio mau humor, quando enfrenta dificuldades com seus pacientes ou no avançar de sua compreensão sobre a análise. Teoricamente, Freud esteve preso à questão do Chiste e sua Relação com o Inconsciente em 1905. Em 1927 ele disse que havia feito uma abordagem do humor apenas do ponto de vista econômico e então retoma o tema.

Sempre presente em nosso trabalho e em todas as relações estabelecidas, o humor é um desafio para o pensar psicanalítico. Está historicamente vinculado à tragédia nas aproximações feitas por Freud, nas metáforas da literatura, ou mesmo no sofrimento imposto na problemática mental. A dor se vincula ao aparecimento do sintoma ou demanda no caminho analítico percorrido pelo cliente na busca do saber de si. Mas, O Banquete de Platão nos ensina que de um mesmo homem o saber pode fazer uma comédia ou uma tragédia.

Além da reflexão teórica, a psicanálise pode avançar em questões do humor na clínica - na transferência, no humor do analista e do cliente, nos sonhos e na direção da cura - e na recuperação do modo de se colocar frente às questões importantes da vida. Lacan disse que a análise termina com um chiste.

Pode-se ainda dizer da existência ou da falta de humor na instituição, das vinculações com conceitos filosóficos, sua expressão nas artes, na literatura e nas representações figurativas espontâneas. Um rol imperdível de temas a serem tratados em nossa jornada.

Carlos Pinto Corrêa

Presidente
Cibele Prado Barbieri

Comissão Científica
Carlos Pinto Corrêa
Maria Clarice Baleeiro

Comissão de Eventos e Divulgação
Maria Lucia Mello
Ana Lúcia Sampaio Fernandes
Vera Mendes