Em setembro de 1956, na cidade de Pelotas (RS), o então reitor da Universidade Católica de Pelotas, Malomar Lund Edelweiss, funda o Círculo Brasileiro de Psicologia Profunda sob orientação de Igor Caruso de quem fora analisando e discípulo em Viena. O nome é originário do Círculo Vienense de Psicologia Profunda, criado por Caruso depois da Segunda Guerra com o objetivo de "repensar Freud a partir de sua origem". Quando Malomar é convidado a implantar a psicanálise em Belo Horizonte, em 1963, o grupo gaúcho concentra suas atividades de formação em Porto Alegre, denominando-se Círculo Brasileiro de Psicologia Profunda, secção do Rio Grande do Sul. Em fins da década de 60, recebe o nome que tem hoje, Círculo Psicanalítico do Rio Grande do Sul, uma sociedade psicanalítica freudiana aberta ao aprofundamento dialético do pensamento psicanalítico e de sua própria evolução.
Principais congressos organizados pelo CPRS
- VI Congresso do Círculo Brasileiro de Psicanálise, realizado em Porto Alegre, em 1986;
- Jornada Aberta "Violência: Enfoque Psicanalítico", realizada em Porto Alegre, em 1992;
- XII Congresso do Círculo Brasileiro de Psicanálise, "Corpo e Psicanálise", realizado em Porto Alegre, em 1998;
- I Fórum Latino-Americano de Associações de Psicoterapia Psicanalítica e Psicanálise, realizado junto com o XII Congresso do CBP;
- VI Fórum Brasileiro de Psicanálise, "Psicanálise, Poder e Transgressão", realizado em São Leopoldo, em 2001.
Breve história do Círculo Brasileiro de Psicanálise
A Segunda Guerra Mundial dissolveu o movimento psicanalítico mundial, resultando num processo de diáspora que afetou principalmente os psicanalistas de origem judaica da Europa Central e Oriental, como Freud, o fundador da psicanálise.
Igor Caruso (1914-1981), nascido na Rússia de uma família nobre de ascendência italiana, cursou teologia e filosofia na Universidade de Louvain, na Bélgica, fez análise com Viktor Emil Freiherr von Gebsattel (1883-1976), analisando e discípulo de Freud, amigo de Rainer Maria Rilke e Lou Andréas-Salomé, e supervisão com Augusty Aichorn, sucessor de Freud à testa dos psicanalistas de Viena. O Conde Igor Caruso participou, em Viena, depois da Segunda Guerra Mundial, da reconstrução da Wiener Psychoanalytische Vereinigung (WPV) com o Barão Alfred von Winterstein e o Conde Wilhelm Solms-Rödelheim. Esses três aristocratas tinham mantido sob o nazismo o espírito freudiano, sem aceitar a política de colaboração de Ernest Jones.
Em 1947, Caruso se separou sem traumas da WPV, cuja orientação lhe parecia excessivamente médica e materialista. Fundou o Círculo Vienense de Psicologia Profunda numa alusão ao termo utilizado por Freud em diversas ocasiões. Mesmo continuando a ser freudiano, não aceitava os padrões de formação da International Psychoanalytical Association (IPA) e, como Jacques Lacan, queria dar a psicanálise uma orientação intelectual, espiritual e filosófica.
O Prof. Malomar Lund Edelweiss, então reitor da Universidade Católica de Pelotas, e a Dra. Gerda Kronfeld resolveram mudar-se para Viena para realizarem análise pessoal com Caruso e participarem de seus seminários. Em 1956, retornaram ao Brasil e, sob a orientação de Caruso, fundaram em Pelotas o Círculo Brasileiro de Psicologia Profunda, nome dado em analogia ao Wiener Arbeistkreise fur Tiefenpsychologie. O primeiro analisando do novo Círculo foi o médico Siegfried Kronfeld, esposo de Gerda, que iniciou sua análise pessoal com Edelweiss no Brasil e terminou-a com Caruso em Viena. Em 1959, em Porto Alegre, começou a formação de alguns candidatos, dentre eles Paulo Brandão e Alberto Corrêa Ribeiro, futuros presidentes do Círculo Psicanalítico do Rio Grande do Sul.
O campo analítico brasileiro, até a década de setenta, encontrava-se ordenado no plano institucional sob à influência da tendência legitimista da IPA e incapaz de reconhecer esse lugar-comum: que as idéias não pertencem a ninguém. Nessa época não pertencer a uma sociedade de psicanálise filiada à IPA era uma escolha arriscada, que implicava numa espécie de marginalização, quando não a própria clandestinidade. Por sua origem, o Círculo encontrava-se marginalizado dos dois grupos de analistas da IPA, em São Paulo e Rio de Janeiro. No Rio de Janeiro, havia uma sociedade dissidente filiada à corrente culturalista dos Estados Unidos. Fora este grupo, o CBP foi o principal dissidente da IPA no Brasil.
Um pequeno grupo em Minas Gerais se organizou no sentido de implantar a psicanálise em Belo Horizonte. Aceito o convite, em 1963, o Prof. Malomar começou a trabalhar com um pequeno número de candidatos, instalando o Círculo Brasileiro de Psicologia Profunda e oferecendo a chamada análise didática, que incluía análise pessoal, formação teórica e supervisão para aqueles que queriam se tornar psicanalistas. Neste momento, Siegrified e Gerda Kronfeld transferem-se de Pelotas para Porto Alegre e assumem a direção do grupo gaúcho.
Em Belo Horizonte, o Círculo encontrou a sua verdadeira vocação. A tradução do nome é corrigida para Círculo Brasileiro de Psicanálise, com as seções de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul. Posteriormente, foram criadas as unidades do Rio de Janeiro, pela incorporação de dissidentes da IPA, da Bahia e de Pernambuco, pelo deslocamento de associados de Minas Gerais e Rio Grande do Sul, seguidos da filiação do GREP e do IEPSI e mais recentemente do Círculo de Sergipe e da Sociedade Psicanalítica da Paraíba.
No final da gestão 82/84, o Circulo Brasileiro de Psicanálise deixa de ter uma ingerência tão direta nas unidades locais e passa a ser uma Federação formada pelos diversos Círculos. Com isto atenua-se o exercício do poder e ganha-se em representatividade e autonomia dos círculos locais. A forma inclusa de repensar Freud segundo Caruso nos afasta dele e cada unidade segue seus estudos incorporando pós-freudianos, especialmente Klein e Lacan.
Hoje o Círculo Brasileiro de Psicanálise se configura como uma Federação de Sociedades Psicanalíticas, formado por sete instituições: Círculo Psicanalítico do Rio Grande do Sul, Círculo Psicanalítico de Minas Gerais, Círculo Brasileiro de Psicanálise - Seção Rio de Janeiro, Círculo Psicanalítico da Bahia, Círculo Psicanalítico de Pernambuco, Círculo Psicanalítico de Sergipe, Sociedade Psicanalítica da Paraíba. Publica uma revista anual intitulada Estudos de Psicanálise desde 1968. O intercâmbio entre os sócios se faz ainda através de um boletim de publicação periódica e por um Congresso realizado a cada dois anos e sediado por uma das instituições do CBP.